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Encerramento da 8ª Romaria dos Mártires reafirma esperança cristã como compromisso com a vida

Celebração eucarística presidida por Dom Lúcio Nicoletto concluiu a peregrinação em Ribeirão Cascalheira (MT), marcada pela memória dos 50 anos do martírio de João Bosco Burnier e pelo envio missionário dos romeiros.

Há 13 horas - por Ronnaldh Oliveira, da redação
Foto: Ronnaldh Oliveira
Foto: Ronnaldh Oliveira

A celebração da Eucaristia marcou, na manhã deste domingo (19), o encerramento da 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada Latino-Americana, realizada em Ribeirão Cascalheira (MT). Reunindo milhares de peregrinos, a celebração tornou-se o ponto culminante de dois dias de oração, memória, formação e compromisso com o Evangelho vivido até as últimas consequências.

Presidida pelo bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Lúcio Nicoletto, a missa contou com a participação de romeiros de diversas regiões do Brasil, representantes dos povos indígenas, lideranças religiosas de diferentes tradições cristãs, bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos que fizeram da Romaria uma expressão concreta de comunhão e compromisso com a vida.

Em sintonia com o tema desta edição, "Testemunhas da Esperança", Dom Lúcio conduziu os peregrinos a uma reflexão sobre o fundamento da esperança cristã. Em sua homilia, provocou a assembleia com uma pergunta que atravessou toda a celebração:

"Sob qual esperança depositamos nossa experiência de fé, sobretudo nos tempos difíceis, de injustiças e de dores?"

Segundo o bispo, a resposta encontra-se na própria pessoa de Jesus Cristo, que continua chamando cada batizado a testemunhar o Evangelho no mundo.

"Se não assimilarmos que Cristo é a nossa esperança, o Evangelho será para nós apenas um conjunto de normas burocráticas. Somos chamados a ser testemunhas da esperança, porque a Igreja é chamada, sobretudo hoje, a ser casa da esperança. Esse testemunho é de radicalidade."

As palavras de Dom Lúcio dialogaram com a espiritualidade da Romaria, que, a cada cinco anos, reúne milhares de pessoas no Santuário dos Mártires da Caminhada para fazer memória daqueles que entregaram a própria vida em defesa da justiça, da dignidade humana e dos mais vulneráveis.

Nesta edição, a peregrinação recordou os 50 anos do martírio do jesuíta padre João Bosco Penido Burnier, assassinado em 1976 ao interceder por duas mulheres que eram torturadas na antiga cadeia de Ribeirão Cascalheira. Também foram recordados os 50 anos do martírio do missionário salesiano padre Rodolfo Lunkenbein e do líder indígena Simão Bororo, cujos testemunhos permanecem vivos na caminhada da Igreja junto aos povos originários e às comunidades do Araguaia.

O encerramento da Romaria também foi marcado pela memória de uma ausência significativa. Esta foi a segunda edição realizada sem a presença física de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, falecido em agosto de 2020, aos 92 anos. Foi dele a convicção de que a memória dos mártires não poderia se perder, mas deveria continuar alimentando a esperança e a missão da Igreja junto aos pobres, aos povos indígenas e aos que sofrem as consequências da violência e das injustiças.

Durante dois dias, Ribeirão Cascalheira tornou-se lugar de encontro entre memória e profecia. Ao recordar aqueles que deram a vida pelo Reino de Deus, a 8ª Romaria dos Mártires da Caminhada reafirmou que o sangue dos mártires continua fecundando uma Igreja que escolhe caminhar ao lado dos pobres, defender a dignidade humana e anunciar o Evangelho com coragem, fidelidade e esperança.

 

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